Márjory Félix : Buscando a mim mesma

Buscando a mim mesma

Depois que o mundo da maternidade abraça nossa vida, viramos um furacão de sentimentos, de conquistas, de pensamentos, e também, de culpa.
Quando ganhei a Manu esqueci completamente que eu existia. Não me via mais no espelho, não me enxergava, não sabia mais quem eu era. Só me via mãe, a Márjory mãe. Esqueci que eu precisava me cuidar, fazer o que eu gostava, abrir mão um pouco de ficar 24hrs grudada na Manuela para fazer algo para mim também.
Você toma um susto no ínico, você quer dedicar todo o tempo da sua vida para aquela criança. Quando sai na rua não vê mais nada para você, tudo pensa no baby.
Quando as coisas nas nossas vidas não são equilibradas faz mal. Eu acabei me anulando. Eu me esqueci.
Até que em um belo dia revendo fotos, lembrando do meu eu anterior, senti uma falta enorme de mim mesma, e me busquei, fui me reencontrar. E me achei!
Foi um processo longo, um processo em que me sentia culpada toda vez em que queria fazer algo e esse algo não incluía a Manuela. Mas o tempo veio e com ele o amadurecimento, que me fez aprender que, ser mãe não é esquecer de si mesma, mas acrescentar em quem você já é, uma nova pessoa, a mãe! 
E aí, sempre que eu podia fazia algo para mim, algo que me fizesse sentir mulher.
A Manu não foi menos amada por isso, pelo contrário, por voltar a me amar tanto, eu a amei ainda mais.




Acabamos abrindo mão de nos mesmas para poder servir aos nossos filhos, achando que, se não for assim, é errado.
Querer viver e ser o que você era antes parece tão distante e você acaba se odiando cada vez que sente vontade de ter um dia só seu.
Você não precisa se culpar, esse sentimento existe porque somos seres humos como qualquer outro, com vontades próprias.
Pintar as unhas, arrumar o cabelo, ler um livro, encontrar as amigas ou passear em algum lugar sozinha, só pelo motivo de ficar só, deve ser tratado como prioridade na sua vida também. Não se esqueça, não se anule, se permita viver. Lembre se: se doar não é nem precisa ser se anular.

Aprendi que não preciso colocar a Manu sempre a minha frente, mas sim, coloca lá para andar ao meu lado. Juntas!


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